Se você está pensando em trocar o notebook ou montar um PC novo, a recomendação que vem se repetindo nos principais portais de tecnologia do mundo é direta: não espere. Uma escassez global de memória RAM, batizada de “RAMageddon”, já elevou o custo dos componentes e promete continuar subindo pelo resto de 2026. Este guia explica o que está acontecendo, por que isso mexe diretamente no preço da sua próxima máquina e como comprar com inteligência antes que a situação piore.

O que é a crise da RAM e por que ela está acontecendo agora
O problema começou fora do universo dos computadores pessoais. As gigantes de tecnologia estão em uma corrida bilionária para construir data centers de inteligência artificial, e esses data centers dependem de memórias de altíssima performance, as chamadas HBM (High Bandwidth Memory). Como cada gigabyte de HBM consome muito mais silício e capacidade de fábrica do que a memória DDR5 comum usada em notebooks e PCs domésticos, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram parte relevante de sua produção para atender esse mercado mais lucrativo.
O resultado foi uma escassez artificial de RAM convencional. Um kit básico de 32 GB de DDR5, que custava pouco mais de US$ 80 no ano passado, já ultrapassou os US$ 400 em 2026 — um salto de mais de 400%. E esse custo não fica restrito a quem monta o próprio computador: fabricantes de notebooks confirmaram que a memória já responde por mais de um terço do custo total de componentes de uma máquina.
Como isso afeta quem só quer comprar um notebook
Você não precisa entender de fabricação de chips para sentir o impacto no bolso. Três efeitos práticos já estão acontecendo no mercado:
1. Preços em alta constante. Projeções do setor indicam que notebooks vendidos hoje na faixa intermediária podem ficar significativamente mais caros até o fim do ano, com aumentos que passam de 30% em alguns segmentos.
2. Menos memória pelo mesmo preço. Para conter o repasse total do custo ao consumidor, fabricantes estão reduzindo a quantidade de RAM que vem de fábrica. Notebooks com apenas 8 GB, que já estavam sendo deixados de lado, voltam a ser vendidos como configuração “padrão” — o que é pouco confortável para o uso atual, especialmente com softwares e navegadores cada vez mais pesados.
3. Memória soldada ganha terreno. Para cortar custo e espaço, mais fabricantes estão soldando a memória diretamente na placa-mãe. Isso significa que, se a configuração vier fraca, não será possível fazer upgrade depois.
O guia prático: o que fazer antes de comprar
Se você precisa comprar em breve, comprometa-se agora
Adiar a compra apostando em uma queda de preço tem se mostrado uma estratégia perdedora nesse cenário específico. Diferente de outros componentes de tecnologia, que tendem a ficar mais baratos com o tempo, a memória RAM está seguindo a direção oposta por causa da demanda da inteligência artificial, que não deve arrefecer no curto prazo. Se a máquina atual já está no limite, esperar “mais um pouco” tende a significar pagar mais, não menos.
Priorize notebooks com memória upgradável
Antes de fechar a compra, verifique nas especificações técnicas se a RAM é soldada (soldered) ou se o aparelho possui slots de expansão (SO-DIMM). Notebooks com memória upgradável dão a opção de comprar hoje com uma configuração mais enxuta e ampliar depois, quando o mercado se estabilizar — uma flexibilidade que pode valer mais do que economizar alguns reais agora.
Não compre menos de 16 GB, se puder evitar
Mesmo com a pressão de preço empurrando o mercado de volta para 8 GB, esse valor já é insuficiente para uma experiência tranquila com múltiplas abas de navegador, videochamadas e aplicativos de produtividade rodando ao mesmo tempo. Se o orçamento permitir, 16 GB deve ser tratado como o novo piso mínimo, não mais como opcional.
Compare o custo-benefício entre notebook e desktop
Quem tem espaço e não precisa de mobilidade pode encontrar alívio parcial montando um desktop em vez de comprar um notebook. Como as peças são compradas separadamente, é possível negociar módulos de RAM isolados, aproveitar promoções pontuais de varejo e, principalmente, fazer upgrades futuros sem depender de trocar a máquina inteira.
Fique de olho em promoções de estoque antigo
Muitos varejistas e fabricantes ainda têm estoque de máquinas montadas antes da escalada de preços. Esses lotes tendem a aparecer em liquidações e podem representar a configuração de RAM mais generosa pelo menor preço que você vai encontrar em 2026. Vale comparar a data de fabricação e não só o preço na etiqueta.
Avalie se um upgrade resolve, em vez de trocar tudo
Se o seu notebook atual permite expansão de memória e o problema é só desempenho, um upgrade pontual de RAM — mesmo mais caro do que era há um ano — ainda costuma sair mais barato do que comprar uma máquina nova completa.
Perguntas frequentes
A crise da RAM vai acabar em 2026? As projeções do setor indicam que a pressão de preços deve continuar até pelo menos o próximo ano, já que a expansão de data centers de IA não mostra sinais de desaceleração. Não há uma data confirmada de normalização do mercado.
Vale a pena comprar um notebook usado para fugir do problema? Pode ser uma alternativa razoável, principalmente se o modelo usado tiver mais RAM do que as configurações novas de entrada disponíveis hoje. Vale sempre verificar a saúde da bateria e o estado geral do aparelho antes de decidir.
8 GB de RAM ainda serve para alguma coisa? Para tarefas básicas, como navegação leve e edição de texto, ainda funciona. Mas para multitarefa, uso profissional ou qualquer aplicativo com IA integrada rodando localmente, o recomendado é buscar pelo menos 16 GB.
O que levar desta análise
A crise da RAM é um efeito colateral direto da corrida por infraestrutura de inteligência artificial, e ela já chegou ao preço final de notebooks e PCs vendidos no Brasil e no mundo. Quem precisa comprar uma máquina não deve tratar isso como uma notícia distante: o momento de decidir com atenção à configuração de memória, priorizando upgrade e evitando esperar por uma “baixa” que não está no radar, é agora.